A origem do ballet

Como vocês sabem, eu amo história e, esse ano, de volta ao curso técnico, temos alguns trabalhos ao longo do ano para fazer e um deles é especialmente sobre a origem do ballet.

Resolvi então, unir o útil ao agradável e trazer um pouquinho desses estudos aqui, primeiro porque acho que é super importante a gente saber mais sobre a dança, ainda que pareça que não vai agregar realmente em técnica (mas que, no fima, a gente sabe que pode ajudar, sim rs) e segundo porque sinto falta de mais estudos e mais gente falando sobre isso – sinto que ainda é tudo muito solto, sem interligações que realmente tracem um panorama mais completo.

Então, o que eu farei aqui é uma reunião de estudos e histórias e fatos sobre a história da dança e do ballet especialmente, seus métodos e origens que sabemos que existiram. Bora lá?

Ballet é frânces? Sua origem

Uma das principais correlações feitas no ballet é com a França. Isso porque os passos, independentemente do método, são baseados na língua francesa (plié, tendu, fondu, etc). Mas, a verdade é que o ballet nasceu na Itália renascentista do século XV.

Sim, o ballet nasceu na Itália! ?

Mas é claro que ele não nasceu assim como nós já o conhecemos. Existiam tratados de danças que definiam princípios e fundamentos da dança como compasso, memória, espaço. Segundo a obra de Caroline Konzen Castro, resultado de sua dissertação de mestrado, o primeiro tratado de dança fora escrito pelo mestre italiano Domenico da Piacenza (”De arte saltandi et choreas ducendi”):

“De acordo com Sparti (1986), esse tratado continha dezoito coreografias e suas respectivas músicas. Essas coreografias eram denominadas ballo, um estilo de dança que, segundo Sparti (1986), foi moldado e aperfeiçoado por Piacenza e se diferencia da basse danse, também chamada de bassadanza (dança francesa de ritmo lento importada para Itália)”.

Um ponto interessante é sobre como a arte e a dança eram vistas naquela época. Segundo Castro, “a dança nessa época era ferramenta para se ascender socialmente e era importante para o poder político. Para os cortesãos renascentistas, ela funcionava tanto como símbolo e expressão de códigos sociais e políticos, como recreação, exercício e entretenimento”.

Entender esse ponto é fundamental para também compreender mais sobre os diversos padrões da dança e do ballet em si – seja de comportamento, técnicas ou estética.

Mas, apesar de ter nascido na Itália, o ballet cresceu e se fortaleceu na França. O que se sabe é que essa mudança veio especialmente após o casamento, em 1533, de Catarina di Médici, uma aristocrata italiana, com o rei francês Henrique II. Nesse período, a França se torna centro cultural e, mais tarde, com o rei Luís XIV (o famoso “Rei Sol”), o ballet se desenvolve mais com o próprio rei sendo dançarino – e todos esses fatos refletem no vocabulário que conhecemos hoje (de base francesa).

Foi nessa época, junto com o assistente do rei Sol, Pierre Beauchamps, que o ballet teve uma sistematização dos seus movimentos. Acredite: foi com Beauchamps que o ballet teve suas 5 posições criadas.

Ballet como expressão própria

Até então, ainda que crescendo e se solidificando, o ballet estava muito ligado às óperas e utilizado como interpretação das músicas. Eis que surge na história o mestre de ballet Jean Georges Noverre.

Noverre queria desvincular essa relação do ópera-ballet e mostrar que a dança, por ela mesma, seria capaz de retratar histórias com sua própria expressividade, seus movimentos. Foi com Noverre que tivemos o início do ballet dramático, que predomina até hoje. Essa mudança – utilizar os movimentos e passos do ballet como forma de expressão sem falas, por exemplo – também ficou conhecida como bal­let d’action.

CURIOSIDADE INTERESSANTE: O Dia Internacional da Dança, celebrado sempre em 29 de abril, faz referência ao aniversário de Noverre.

A ascenção do ballet

O ballet clássico como o conhecemos hoje teve sua ascensão no romantismo, durante o século XIX. Essa época influenciou a perspectiva de fragilidade feminina (presente em muitos ballets de repertório) e também foi o período onde iniciou-se a utilização das pontas nos pés.

Fanny Bias (bailarina francesa), em 1821, a primeira imagem de uma bailarina nas pontas.

O Romatismo e as mudanças sociais resultado das revoluções industriais no século XIX influenciaram diretamente a abordagem do ballet, que representavam fantasias leves. As mulheres eram vistas como seres inexistentes, fáceis de serem erguidas (alô, padrão estético gritando já). A partir daí, começam a surgir os famosos ballets de repertório (como La Sylphide, Giselle e outros).

Nesse período, também, o ballet expandiu e ultrapassou fronteiras – além de países como França e Itália, ele também teve destaque na Rússia, que esteve sob grande influência no cenário do ballet na metade do século XIX.

Aqui podemos destacar o famoso Marius Petipa. Ele fez parte como bailarino principal do Ballet Imperial Russo e lá, inclusive, criou o primeiro seu primeiro ballet de repertório – “A Filha do Faraó”. Depois disso, Petipa se consolida com diversos outros ballets que, até hoje, são extremamente importantes – La Bayadére, Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e muitos outros.

No final do século XIX, mais alguns nomes se destacam no cenário da dança clássica tanto na Europa quanto na América: Enrico Cecchetti, Sergey Diaghilev e Agrippina Vaganova (mas esses aqui ficam para um outro post rs).

O ballet hoje

A partir do século XX, o ballet se expande e os bailarinos também – alguns chegam a ficar famosos internacionalmente, como a Anna Pavlova. E, é claro, a dança vai se atualizando e pedindo por mudanças. A Rússia já tinha se solidificado no ensino também. Novas histórias surgiram e ballets de repertório como Romeu e Julieta, Chama de Paris e Cinderela surgem.

Além disso, novas modalidades também começam a surgir: o ballet neoclássico, a dança moderna e contemporânea com nomes como Loie Fuller, Isadora Duncan e Ruth St. Denis chegaram para mostrar que existia espaço para mais liberdade de expressão dentro da dança.

✨ Conclusão

Estudar a história do ballet é perceber como a dança nunca esteve isolada: ela sempre dialogou com a sociedade, com a política, com a arte e com a vida. Entender suas origens não é apenas uma questão de curiosidade, mas também de consciência do caminho que percorremos até aqui.

E talvez esse seja o maior aprendizado: o ballet é tradição, mas também é transformação. Ele nasceu em cortes italianas, cresceu nas mãos francesas, floresceu na Rússia e se reinventou no mundo inteiro.

E você, já tinha parado para pensar em como a dança que praticamos hoje carrega tantas histórias dentro dela?

FONTES: https://anabotafogomaison.com.br/a-historia-do-ballet/?srsltid=AfmBOoo1Xcf1TXceZnR1CtyJM4WhznL-5BzX2sdN9go_7GdU9E7WZ2Lr https://pt.wikipedia.org/wiki/Balé

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